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sábado, 31 de dezembro de 2011

A PEQUENA E BRAVA AMDORIA

Certa vez houve uma inundação numa imensa floresta. O (choro das nuvens que deveriam Cury) promover a vida dessa vez anunciou a morte. Os grandes animais bateram em retirada fugindo do afogamento, deixando até os filhos para trás. Devastavam tudo o que estava à frente. Os animais menores seguiam seus rastros. De repente uma pequena andorinha, toda ensopada, apareceu na contramão procurando a quem salvar.
As hienas viram a atitude da andorinha e ficaram admiradíssimas. Disseram: “Você é louca! O que poderá fazer com um corpo tão frágil?”. Os abutres bradaram: “Utópica! Veja se enchera sua pequenez!”. Por onde a frágil andorinha passava, era ridicularizada. Mas, atenta, procurava alguém que pudesse resgatar. Suas asas batiam fatigadas, quando viu um filhote de beija-flor debatendo-se na água, quase se entregando. Apesar de nunca ter aprendido a mergulhar, ela se atirou na água e com muito esforço pegou o diminuto pássaro pela asa esquerda. E bateu em retirada, carregando o filhote no bico.
Ao retornar, encontrou outras hienas, que não tardaram a declarar: “Maluca! Está querendo ser heroína!”. Mas não parou; muito fadigada, só descansou após deixar o pequeno beija-flor em local seguro. Horas depois, encontrou as hienas em baixo de uma sombra. Fitando-as nos olhos, deu a sua resposta: “Só me sinto digna de minhas asas se eu as utilizar para fazer os outros voarem”.
Há muitas hienas e abutres em nossa sociedade. Não esperem muitos dos grandes animais. Esperem deles, sim, incompreensões, rejeições, calúnias e necessidade doentia de poder. Não os chamo para serem grandes heróis, para terem seus feitos nos anais da história, mas para serem pequenas andorinhas que sobrevoam anonimamente a sociedade amando desconhecidos e fazendo por eles o que está ao seu alcance. Sejam dignos de suas asas. É na insignificância que se conquistam os grandes significados, é na pequenez que se realizam os grandes atos.
“Tenho que admitir que agi como abutre em muitos momentos da minha vida; agora preciso aprender a agir como uma insignificante e brava andorinha!”
 

(O Vendedor de Sonhos – Augusto